terça-feira, 8 de março de 2016

8 de março. Mulheres e Revolução de Maria Velho da Costa

Hoje publico um texto que me diz muito, de Maria Velho da Costa. Publico-o hoje, dia 8 de março, pelo que ele transmite. O reconhecimento a todas as mulheres de luta. Aquelas que marcaram o seu nome na História e às que lutaram silenciosamente. Às que deram lugar ao dia de hoje e às que hoje continuam a dar significado a esta data. Para quem tem consciência de classe e luta pelas desiguladades e para As que lutam mesmo não reconhecendo essa consciência. Para as que saem à rua em protesto e para as que revolucionam o mundo em silêncio:

"Mulheres e Revolução
Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná-lo para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençóis com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrançam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vão à estação chorosas. Elas vêm trazer um borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.
Coisas que elas dizem:
— Se mexes aí, corto-ta.
— Isso não são coisas de menina.
— O meu homem não quer.
— Estuda, que se tiveres um empregozinho sempre é uma ajuda.
— A mulher quer-se é em casa.
— Isto já vai do destino de cada um.
— Deus não quis.
— Mas o senhor padre disse-me que assim não.
— Dá um beijinho à senhora que é tão boazinha para a gente.
— Você sabe que eu não sou dessas.
— Estás a dar cabo do teu futuro com uns e com outros.
— Deixa-te disso, o que é preciso é sossego e paz de espírito.
— Comprei uns jeans bestiais, pá.
— Sempre dá para uma televisão daquelas novas.
— Cada um no seu lugar.
— Julgas que ele depois casa contigo?
— Sempre há-de haver pobres e ricos.
— Se tu gostasses de mim não andavas com aquela cabra a gastar o nosso.
— Põe o comer ao teu irmão que está a fazer os trabalhos.
— Sempre é homem.
Elas olham para o espelho muito tempo. Elas choram. Elas suspiram por um rapaz aloirado, por duas travessas para o cabelo cravejadas de pedrinhas, um anel com pérola. Elam limpam com algodão húmido as dobras da vagina da menina pensando, coitadinha. Elas escondem os panos sujos de sangue carregadas de uma grande tristeza sem razão. Elas sonham três noites a fio com um homem que só viram de relance à porta do café. Elas trazem no saco das compras uma pequena caixa de plástico que serve para pintar a borda dos olhos de azul. Elas inventam histórias de comadres como quem aventura. Elas compram às escondidas cadernos de romances em fotografias. Elas namoram muito. Elas namoram pouco. Elas não dormem a pensar em pequenas cortinas com folhos. Elas arrancam os primeiros cabelos brancos com uma pinça comprada na drogaria. Elas gritam a despropósito e agarram-se aos filhos acabados de sovar. Elas andam na vida sem a mãe saber, por mais três vestidos e um par de botas. Elas pagam a letra da moto ao que lhes bate. Elas não falam dessas coisas. Elas chamam de noite nomes que não vêm. Elas ficam absortas com a mola da roupa entre os dentes a olhar o gato sentado no telhado entre as sardinheiras. Elas queriam outra coisa.
Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram faltar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram. Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro urna cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrebaeldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada. Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas."
Maria Velho da Costa

sexta-feira, 4 de março de 2016

A plenitude no olhar



Seguíamos pela estrada estreita que rasgava a montanha entre arcos singulares. Percorremos o mesmo caminho duas vezes procurando um dos muitos miradouros que nos enchiam a retina. Na verdade, não procurávamos apenas mais um, procurávamos o ponto mais alto da ilha.

As indicações eram escassas, subimos e descemos o percurso de carro. Parámos junto a uma subida íngreme que nos propusemos a desafiar. Seguimos pelo estreito e raro espaço que não estava ocupado pela vegetação ou pequenas flores coloridas. Seguimos com o impulso da vontade que nos mantinha hirtas as pernas exaustas.

Paravas, como é hábito teu, para atentar em pormenores que sempre me escapam. Ias colecionando pequenas pedras vulcânicas, as que mais atraíam o teu olhar. Seguias destemido subindo o caminho que depois descemos com o auxílio de uma lanterna. Eu, como sempre, hesitava entre seguir os teus passos ou abrir caminho para tu protegeres os meus.

Rias a cada “Ai” que eu deixava escorregar quando a areia agreste fugia dos meus pés. Sempre te riste e me fizeste rir da minha maneira desajeitada de subir ou descer, das minhas paragens súbitas ou dos meus avanços em aceleração brusca.

Os últimos 300 metros foram os mais difíceis, não havia mais espaço arenoso por entre os vários registos rochosos de atividade vulcânica. Inclinei-me numa tentativa de equilibrar o centro de massa do corpo com o ângulo formado pela força gravítica. De novo, o teu riso contagiante e eu disse-te: - não me desconcentres.

Chegámos ao cume. Senti a atividade sísmica, não a que outrora originou aquele espaço, aquela que palpitava dentro de mim propagando ondas desde o coração até às extremidades do meu corpo.

Ergui-me. Respirámos fundo ao mesmo tempo. Abraçamo-nos e ouvimos o eco do nosso riso. Milésimos de segundo depois, a minha vista alcançou a finitude do verde que dava lugar ao azul brilhante, o mais brilhante que alguma vez vira. De repente, todos os meus sentidos se misturaram, se confundiram, tal como se misturavam as cores de águas e campos verdes com a as cores floridas que decoravam a ilha. Os meus sentidos confundiram-se tal como se confundiu céu e mar no horizonte. Naquele instante senti-me plena.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Inês Mariana

Aquela menina chegava com perfume de mulher e atraía a atenção de todos com a sua singularidade. Uma irreverência que preenchia espaço. Dos seu olhos escuros e brilhantes reluzia uma inquietação invulgar. O seu olhar explorava tudo para encontrar sentido em cada  pormenor. 
Parecia assustada, por vezes denunciava uma revolta encoberta. A sua determinação contrastava com o desconforto de se sentir num espaço que ainda não reconhecia como seu.

O seu longo cabelo negro sobressaía no colorido das roupas que usava. Tinha um corpo de mulher, bem desenhado e um rosto longo, expressivo, com as marcas dos seus 15 anos. Hoje faz 33, está mais mulher no corpo e no rosto. Mantém a beleza e a sua magia infantil, saudável, contagiante. O mesmo contágio que se sente na sua pequena filha, também ela com um olhar inquieto de quem quer desafiar o impossível.

Recordarei sempre o momento em que a vi entrar pela porta (da qual esquecia a chave inúmeras vezes). Cruzamos um olhar e um sorriso envergonhados no corredor comprido e estreito da casa. Casa que ficou sempre em nós, onde aprendemos e partilhámos tantas coisas, onde desafiámos os limites da adolescência e vencemos medos.
Conhecer aquela menina, sendo eu menina também, transformou-me. Fez-me ser mais, mais pessoa, mais sensível, mais humana. Ela era obstinada, tinha um sonho, o sonho de ser atriz. O pai opunha-se, muitas pessoas aconselhavam-na a seguir outro rumo. Eu sempre soube que ela não devia desistir e sempre soube que iria vencer. E venceu! 
A última peça que vi com ela fez-me chorar por muitos motivos. Um deles foi por ver a mulher lutadora, corajosa que brotou daquela menina obstinada. Da sua interpretação emergia uma força que fez brotar lágrimas em quase todo o público. A peça era "Breviário Gota d'Água" no cine-teatro Constantino Nery. Ela era a Joana (a Medeia intemporal). A Joana tinha muito de Inês ou vice-versa. Num dos diálogos de Jazão com Joana eu vi a minha Inês e revi-me também. Para nós nunca existiram pausas, nada é lento, vivemos sempre no limite, e todos os segundos são eternos.  

Recordo as nossas saídas à noite, em pijama, até à Praça de Goa. Saímos muitas vezes porque simplesmente nos apetecia sentir o vento da noite. Dividíamos uns auriculares de um leitor de cassetes para ouvirmos poemas de Eugénio de Andrade, outras vezes Cat Stevens ou Beatles. Ela cantava tantas vezes "It's been a hard day's night", uma vez ensaiou a tarde inteira esta música no meu quarto. 
Dormimos muitas vezes abraçadas, caíamos exaustas nas almofadas depois de passarmos horas a confidenciar segredos e expetativas ou simplesmente a rirmos incontrolavelmente das imensas histórias que ela contava da sua avó.

Já passaram 15 anos desde que deixámos de partilhar a mesma casa, a mesma escola, a mesma cidade. Mas estamos na vida uma da outra para sempre! Porque o Amor entre Amigas nunca se quebra ou apaga.


domingo, 14 de fevereiro de 2016

"Por via das dúvidas saber o que achar"

Ao rever um filme antigo relembrei como a escolha do nosso percurso pode ser sempre entre o mais fácil ou o mais difícil. Não acredito em escolhas certas ou erradas. A definição de certo/errado está acente em conceitos individuais ou de generalização, o chamado senso comum. Considerar que algo é absolutamente certo ou absolutamente errado denota presunção. Cada um de nós toma as suas opções mediante a sua condição e as suas vivências. 
Creio que todos os seres humanos procuram a felicidade ainda que por percursos diferentes.
É nessa busca que me perco, encontro e reencontro todos os dias. É uma procura árdua porque é feita de escolhas que me levam, na maioria das vezes, pelo percurso mais difícil.  
Regularmente ziguezagueio em círculos porque as generalizações, os sensos e os lugares comuns me fazem duvidar de mim, da minha perspectiva, das minhas escolhas exaustivamente analisadas. 
Não tenho paciência para frases feitas como "é preciso saber viver" e tenho dificuldade em aceitar pragmatismos. Para mim isto significaria deixar de ser quem sou. Se o fizer, num segundo que seja, estarei a abdicar do meu rumo à felicidade. Cada instante é indispensável porque não sabemos se o instante seguinte virá, por isso não abdico da minha identidade em nenhuma situação de dúvida ou confronto. Por vezes olho à minha volta e sinto uma solidão imensa na multidão. O meu caminho não é pautado pela mesma linguagem da sociedade. O mais difícil nestes momentos é aceitar-me, perceber que escolhi o caminho árduo. No entanto, são justamente estes momentos que fomentam a minha determinação, a minha força. Não temo o sofrimento, temo a anulação. Saber sofrer é essencial para reconhecer a felicidade.
Não consigo faltar à verdade, à verdade que é minha. Quando ma rejeitam ou me aconselham a ser "menos": menos lutadora, menos sonhadora, menos reivindicativa é porque não respeitam a minha essência. Não sei se aqueles que sabem fazer "as cedências necessárias" serão felizes mas aceito a sua escolha. Eu começo a ser feliz comigo própria porque percebo que sempre exigi demasiado de mim em detrimento dos outros. Finalmente reconheço que escolho sempre o meu roteiro com consciência, faço o balanço entre a emoção e a razão (e estas só a mim pertencem). Mesmo que, por vezes, me sinta a caminhar no deserto encontro um oásis em cada abraço de um Amigo/Camarada, daqueles que entraram no mais íntimo da minha existência porque caminham igualmente muitas vezes no deserto.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

20 de novembro

Tenho má memória para datas, talvez porque tenha uma relação emocional com elas. Há datas que, pela sua importância, me fazem viver o dia no sentimento e na recordação que me transmitem. Outras datas, por não serem minhas mas sim daqueles que amo, ocupam-me o pensamento durante todo o dia ecoando o sentimento plantado em mim.
Hoje é o dia do meu irmão. Nasceu em 1971, temos uma diferença de 11 anos de idade. 
Quando me perguntam como é ser a mais nova de três irmãos e ter uma diferença tão grande de idades respondo que é uma das melhores coisas do meu mundo. Eu não seria quem sou se assim não fosse. Quando me dizem "és a menina do mimo" respondo "sou". Mas fui muito mais do que isso, guardei em mim conflitos que até à fase adulta nunca os partilhei com ninguém, porque as primeiras pessoas com quem os partilharia seriam os meus irmãos. Não o fazia porque era esta a forma de lhes responder à proteção que eles me davam, também eu os tentava proteger dessa forma. A minha irmã aglomera em si muitos papéis, fez (e faz) muitas vezes o papel de mãe, de melhor amiga, de confidente, de conselheira. O meu irmão assumiu outros papéis, diferentes no propósito, diferentes na dimensão. Observei os meus irmãos, os seus gostos, as suas atitudes e fui assim construindo o puzzle da minha personalidade. Hoje sou, muito, muito mais do que a "menina do mimo", sou a tia fascinada. Os meus irmãos abrilhantaram o meu mundo com as vidas mais resplandecentes que nele existem - os meus quatro sobrinhos. Quatro crianças (aliás, dois adolescentes) muito diferentes entre si, cada um com um conjunto inumerável de qualidades que enriquecem o mundo. 
Como já referi, hoje é o dia do meu irmão. Hoje está presente em mim a admiração que nutro por ele. Eu e ele vivemos a vida de formas muito diferentes. Temos visões sobre o mundo, a sociedade, a economia diametralmente opostas. Ele não sabe mas, por ser assim, ensinou-me a ser tolerante, a respeitar outras opiniões. Ensinou-me igualmente que nunca devemos desistir dos nossos pontos de vista, que devemos assumir as nossas convicções mesmo que os outros se oponham. 
O meu irmão e eu vemos a injustiça com outros olhos, reconhecemo-la em ambientes diferentes, mas reagimos com o mesmo fervor e sentimo-la com a mesma intensidade. 
O meu irmão tem uma coragem e uma determinação incríveis, consegue vencer os seus receios e fazer acontecer. Não contorna obstáculos, enfrenta-os. Eu e ele temos pretensões diferentes, mas convergimos na capacidade de sonhar, na inquietude das nossas mentes. Ele não se orienta pelo mapa mas sim pelo globo, pois quando alcança um objetivo a sua mente já navega rumo a outras metas. A sua impaciência contrasta com a minha ponderação mas quando o sangue entra em ebulição almejamos solucionar os mesmos problemas. As nossas inseguranças, fruto de uma educação comum, manifestam-se em polos opostos mas ambos procuramos o conforto e a aceitação no mesmo meio. 
Ele é uma pessoa muito exigente, procura a perfeição e reclama-a dos que o rodeiam. Sempre senti que não correspondia às suas expetativas, talvez porque a sua proteção sempre se fez sentir de uma forma rígida. No entanto, nunca duvidei do seu inesgotável amor pela família. Nas minhas recordações mais íntimas está o rapaz alto e esguio que chegava a casa de fim-de-semana sempre com um pacote de maltesers para a irmã de cinco anos, está o seu forte e envolvente abraço nos momentos difíceis e o seu sorriso que transborda do olhar nos momentos felizes. 
Hoje recordo, também, um dos dias mais tristes das nossas vidas, o dia em que perdemos a nossa avó Rosa. Infelizmente fui privada de muitos momentos com ela, mas os que tive foram tão puros, tão maravilhosamente amorosos que permanecem em vibração dentro de mim. Recordo cada pormenor desse dia, o telefonema que a minha irmã recebeu, as longas horas que fiquei sozinha em casa, a espera angustiante para falar com o meu irmão. Foi há 22 anos atrás. Guardo também uma recordação doce. Umas horas antes da minha avó falecer numa cama de hospital, disse a uma amiga nossa "O meu neto mais velho faz amanhã 22 anos", parece que sorriu muito ao dizê-lo. É isso que torna o meu irmão tão especial, ninguém pensa nele sem que sinta de imediato um sentimento forte. Ele nunca viveu na penumbra, sempre se fez notar. 
Talvez ele não saiba o quanto o amo. A sua inteligência, a sua determinação, a sua inquietude enchem-me de profunda admiração. Ou talvez ele saiba porque, tal como eu, há coisas que sempre sentimos mesmo que nunca tenham sido ditas. 
Parabéns, Mano!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Com um brilhozinho nos olhos

Há esperanças que nos são roubadas pelos meios de comunicação social. Há lutas travadas pelo mundo, lutas de verdadeiros coletivos, à margem das questões partidárias e dos debates televisivos, que podem tornar o mundo melhor.
Ontem tive conhecimento de uma dessas lutas na qual duas pessoas muito importantes na minha vida podem ter um papel ativo. 
Ontem o meu Companheiro falou-me de sonho, de esperança, de ideais que podem ser alcançados. 

As suas palavras encheram os meus sentidos, eletrificaram o meu corpo de verdadeira felicidade que jorrou em lágrimas doces. Talvez seja esta capacidade, a capacidade de nos arrepiar os poros e de nos fazer verter lágrimas quentes e doces que define o Amor. Amor puro entre amantes, entre amigos, entre aqueles que são o nosso mundo. Amor incondicional que nada pede em troca.

O meu Companheiro sempre teve a capacidade de me fazer sonhar e de me acompanhar nos meus sonhos. Talvez por isso, talvez por uma infinitude de outras características, ele seja verdadeiramente meu Companheiro. A sua essência genuinamente altruísta, justa, torna-o a pessoa mais bela do meu mundo. O nosso Amor é uma contínua conquista, peculiar para todos os que nos conhecem, incompreensível mesmo para quem penetra no íntimo da nossa existência. O meu Companheiro é a pessoa mais feminista que eu conheço, que me diz "nem tu és dona dos teus sentimentos, muito menos eu", o seu bem estar depende do nosso bem estar conjunto. Talvez por isso, talvez por tantas outras coisas, reconhecemos um caminho juntos. E mesmo que um dia, a neuroquímica dos nossos cérebros nos inunde de outras paixões e nos prive de uma vida a dois, teremos sempre um caminho a percorrer em conjunto. Teremos sempre a certeza de um Amor e de um Companheirismo que nos levará mais longe.

O meu Companheiro ensinou-me a sentir os elementos, a saborear o vento e a deixar-me abraçar pelo sol. Porque ele é assim, gosta da vida, gosta da partilha! Ontem renovou a minha esperança no mundo e renovou as minhas forças para alcançarmos juntos a meta: Utopia.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

13 no totobola

A amizade é dos acontecimentos mais mágicos que podemos vivenciar. Uma amizade verdadeira é um amor eterno, um amor que jamais se desgastará. Como uma fonte de água cristalina que segue naturalmente o seu curso, sem que os obstáculos o obstruam, a amizade verdadeira é abrilhantada com a mesma pureza, com a mesma cristalinidade. 

Eu costumava pensar que as amizades se construíam e com essa perspectiva tentei incluir no meu mundo pessoas que não correspondiam à minha idealização. Mas agora sei que as amizades não se constroem, elas surgem como que por um acaso. Tal como geneticamente a união aleatória de dois gâmetas origina um ser único e complexo, tal como a paixão que emerge da casualidade, a amizade também começa de uma forma espontânea e inesperada. Criarmos empatia com alguém é uma questão "de pele", como genericamente se costuma dizer, ou seja, desencadeamos reações químicas que nos fazem sentir cómodos com umas pessoas e não com outras. Depois segue-se a tarefa de alimentar essa empatia. Quando as duas pessoas dispendem a mesma energia nesse processo surgem as amizades eternas, as amizades que nunca se esgotam. O amor entre amigos é um amor generoso, que não magoa, que não fere, ele é partilhado de uma forma gratuita sem esperar compensações. 

Quando encontramos uma amizade para a vida, tornamo-nos pessoas melhores, mais completas, o nosso mundo torna-se maior. Não são as amizades que se constroem mas são elas que nos constroem a nós, que nos transformam e amadurecem. 

Eu tenho a felicidade de ter no meu mundo fortes amizades, amizades eternas. Uma dessas amizades surgiu não há muito tempo. Ontem enquanto dividíamos as horas, sentindo a brisa do mar e o calor do sol, senti esse conforto que só o amor dos amigos nos dá. Falámos durante horas, confidências e trivialidades, mas foi nos momentos de silêncio que senti o maior conforto. O maior teste à amizade é a partilha do silêncio. Quando uma amizade é verdadeira não há constrangimento no silêncio. Ontem partilhei com a minha amiga a contemplação do sol a desaparecer no horizonte por detrás das nuvens. Partilhámos este, como tantos outros momentos, em silêncio. Nesses momentos sou feliz!

Epidemia

Uma fome epidémica  atingiu a humanidade. Nas ruas, circulam pessoas de estômago vazio. Nas casas, vidas desnutridas contorcem-se de dor. No...