terça-feira, 25 de agosto de 2015

Amor em tempos revoltos

Este poema foi escrito há largos meses atrás, é dedicado ao meu companheiro que todos os dias me (re)ensina a viver:


I
Beijas-me a face salgada
Que os meus olhos regaram.
A doçura dos teus lábios
E o calor dos teus braços
Lembram-me a paz de outros momentos
Quando a tua pele adubava
Em mim a felicidade.

O teu olhar, agora baço,
Reflete a dureza das horas
Da tranquilidade perdida.
A dor de te sentir triste
Petrifica meu ser inquieto.

Quero falar-te
Mas as palavras atropelam-se
Nos pensamentos inconstantes.
Quero afagar-te
Mas o movimento gela
Na certeza do meu corpo indigno.

II
O caminho é incerto
Tão ingreme que me
Enche de cansaço
Mas neste percurso respiramos
E sentimos o vento, o sol e a vida.

Meu corpo cansado
Minha mente revolta
Dizem-me que a subida é agreste
Mas será fresco o descanso.
A vontade será o nosso mapa
E a memória a nossa bússola
Não sei se seguimos a mesma rota,
Não sei onde é a meta
Mas conforta-me a certeza de que partimos juntos.

III
Desta janela não vemos o mar
Quando queremos sentir a rebentação
Das ondas brancas
Mas procuramos tanto que encontramos
O granizo no lugar da espuma dos sentidos.

Mas porque queremos olhar o mar
Quando temos a lua e as estrelas,
Que cintilando nos contam os segredos
Da origem do mundo?!
Mas porque queremos olhar o mar
Quando temos a tranquilidade das águas calmas,
Aqui, diante desta janela aberta?!

Entra o frio, meu amor,
Mas também o cheiro da maresia
E o cantar das aves notívagas.
A luz é fraca bem sei,
Mas repara nos meus olhos
Sedentos de vida,
Neles mora o brilho da memória
Do livro que os dois escrevemos.




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